Livro da Microsoft mostra que o letramento em IA depende de camadas anteriores
A coletânea Learning Curves reúne pesquisas sobre IA na escola e no trabalho. Num dos capítulos, a maior barreira para usar assistentes de escrita foi a digitação dos alunos.
O Microsoft AI Economy Institute lançou em 26 de outubro a coletânea Learning Curves: Rethinking Education from Classrooms to Careers in an AI-Driven World, com ensaios da segunda turma de pesquisadores seniores do instituto. A edição é de Juan M. Lavista Ferres, cientista-chefe de dados da Microsoft, e de Frank Nagle, e o livro sai pela Wiley.
Os textos cobrem do ensino básico à passagem da faculdade para o primeiro emprego. Joseph Orero, da Strathmore University, no Quênia, sustenta que os professores não resistem à IA: o que falta é formação adequada. A pesquisa dele trata de aprendizagem com jogos em línguas africanas apoiadas por IA.
Um capítulo sobre ensino em árabe traz o achado mais concreto da coletânea. Quando os professores levaram assistentes de escrita para a sala, a principal barreira foi o letramento digital dos alunos, sobretudo a capacidade de digitar. Outro capítulo, de Laura Nuriski, do Centre for European Policy Studies, lembra que dar acesso à ferramenta não garante integração: contam também a infraestrutura de dados, o preparo da organização e uma abordagem centrada nas pessoas.
A apresentação do livro cita dois números de contexto: a adoção de IA passa de 70% nos Emirados Árabes Unidos e fica num dígito em boa parte da África subsaariana, e mais da metade dos adolescentes americanos já usa chatbots para tarefas escolares. A conclusão comum dos autores é que não existe um modelo único de competência em IA e que a formação precisa se ajustar ao contexto de cada lugar.